De volta à África

July 15th, 2011 por Paulo Torres

Um ano e pouco depois, estou de volta à África do Sul, novamente de férias. Como no ano passado tive de abortar os últimos 10 dias de viagem por motivos de luxação de ombro, senti que devia a mim mesmo aquela safári por Botsuana e Victoria Falls, e cá estou. Agora, com meu irmão e minha irmã me acompanhando. Aqui chegamos dia 13 de julho, nesses primeiros dias estou apresentando-os à Cidade do Cabo, e passaremos por Josnesburgo antes de começar a jornada por Okavango, Chobe e pelas Cataratas de Vitória.

Vou tentar relatar aqui um pouquinho da viagem. Coisa que queria ter feito ano passado, mas a procrastinação não me permitiu. (Em agosto pretendo escrever por aqui uma retrospectiva Copa 2010.) Vou usar fotos e textos curtos, tentando driblar minha própria inércia.

Retorno antecipado

July 14th, 2010 por Paulo Torres

Então, voltei de viagem antes do previsto. Motivo: luxação no ombro esquerdo. No dia 4, domingo após as quartas-de-final da Copa, eu nadava no Oceano Índico quando uma braçada mais forte fez o ombro sair do lugar. Precisei ser levado a um hospital de Jeffrey’s Bay – agradabilíssima cidade praiana habitada por surfistas e veranistas, mesmo no inverno – para que o ombro fosse remontado. Como o ombro continua instável (ou seja, pode sair do lugar de novo a qualquer movimento), o retorno foi recomendado, e ainda tive que viajar com o braço imobilizado por uma tipoia. Agora minha rotina, em vez de torcedoras eslovenas e rinocerontes brancos, estão exames de imagem e clínicas de ortopedia.

Imagem meramente ilustrativa

Olhando o lado positivo: ainda bem que isso aconteceu ANTES que eu fosse para o safári acampado de 8 dias pelos parques nacionais de Botsuana – eu partiria na terça-feira, 2 dias após o acidente. E, principalmente, ainda bem que isso aconteceu DEPOIS de eu ter asisstido os 13 jogos da Copa que eu tinha comprado ingressos. Retornar ao Brasil com ingressos de Copa do Mundo na mão me deixaria com um mau humor infinito e eterno.

Foram 29 dias em terras africanas, dos 41 previstos. Fica aquela frustração pelos planos não-realizados, tipo não terminar a viagem às margens do Zambezi, que até inspirou o nome do blog. Mas esses 29 dias foram bastante intensos. Conheci lugares lindos, fui aos 10 estádios da Copa, convivi com fãs de futebol de todas as procedências, tirei um centurilhão de fotos bacanas. Só não escrevi muito por aqui, mas tá em tempo de corrigir isso.

- Ah, você vai para a Copa do Mundo?

June 5th, 2010 por Paulo Torres

- Ah, você vai para a Copa do Mundo? Acha que o Brasil vai ser campeão? Essa pergunta eu escutei algumas dezenas de vezes, nas últimas semanas. E não soube responder. Na verdade, não me importo. Porque sei que vou me divertir bastante seja qual for o resultado final. E, principalmente, porque andei com a cabeça totalmente apontada para a parte prática do “ir à Copa do Mundo”: ingressos, hospedagem, atrações turísticas, transporte, cartões de memória extra para a câmera, e promover uma interação bacana entre todos esses tópicos.

Viajar por conta própria é bem legal, pra quem não se importa muito em passar um tempo sozinho. Sozinho, todas as decisões são unânimes, a única pessoa que você tem que convencer é o seu próprio bom senso. Mas as viagens solo têm um lado bom e um lado ruim. (Como tudo na vida, exceto o LP do Wando, que tem dois lados ruins! Preciso parar de usar essa piada todo o tempo.) Além da óbvia falta de companhia para jantar, de não ter com quem rachar o táxi, e das dificuldades em aparecer nas fotos, você se torna o único responsável por transformar uma viagem legal em um CARA QUE VIAGEM SENSACIONAL!

Daí, foram meses lendo guias de viagem, navegando no Google Earth pra saber da localização de cada hotel/albergue/estrebaria, brigando com os sites bugados das companhias aéreas sul-africanas. Acho que deu resultado: consegui encaixar no meu roteiro jogos nas nove cidades-sede (incluindo três jogos do Brasil), e ainda sobra um tempo pra bancar o turista. Isso sem maratonas malucas de vinte-cidades-em-seis-dias e sem precisar vender meu corpo pra pagar a conta.

Domingo embarco, segunda-feira chego no lado de lá do Atlântico. Se tudo der certo, sigo atualizando o Ao Zambezi! lá da terra da Charlize Theron. E também o meu blog primário, companheiro de tantos carnavais.

Ao Zambezi!

April 2nd, 2010 por Paulo Torres

Daí viajarei de férias para a África do Sul, em junho. Sim, Copa do Mundo! Mas depois de atravessar o Atlântico, não vou deixar de turistar um tanto – afinal, quem (além do Ricardo Teixeira) deixaria o Dunga ser o fator determinante do sucesso de alguma coisa?

Resolvi então fazer um blog sobre essa viagem. Não que eu esteja desistindo do meu blog velho de guerra – esse aqui é tipo um projeto paralelo, sobre a viagem Copa 2010. Com páginas individuais pra cada post, com tags, com bordas arredondadas, com todos esses mimims da web 2.0 e do wordpress. Sim, me rendi e estou me arriscando no wordpress. E comprovando que ele é feio, bobo e difícil de usar.

Acho que esse blog paralelo terá boas serventias. Na fase atual, pré-viagem, ele me ajuda a me organizar: qualquer coisa colocada por escrito parece mais fácil de entender. Uma vez na África, servirá para manter algum tipo de comunicação com família/amigos/tietes aqui no Brasil. Escrever “hoje eu fui no Museu do Apartheid”, ou “um babuíno roubou meu sanduíche de presunto”, ou “vi o Kaká entrando numa boate suspeita”. Mostrar vídeos do mergulho com tubarões, ou das dancinhas da torcida da Costa do Marfim. Colocar fotos do babuíno comendo meu sanduíche de presunto.

E um blog é também um jeito de devolver à internet um pouco do apoio que ela tem me dado. Estou viajando sozinho, sem pacote, resolvendo tudo (ingressos, hospedagem, voos) via internet. E a África do Sul não é exatamente o mais popular dos destinos para o turista brasileiro. Até que para Cidade do Cabo e Parque Krüger achei algumas informações em português, mas tenho a impressão que serei o primeiro cidadão lusófono a colocar os pés em Bloemfontein, nem esses guias de viagem de 800 páginas falam muito sobre a capital judiciária da África do Sul.

Então se um dia outro brasileiro desavisado inventar de viajar por conta própria pra Bloemfontein, provavelmente vai achar algum post daqui dizendo que os voos pra lá não são muito caros, e que escolhi um hotel – na verdade uma pousada – na base do uni-duni-tê.