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30 de agosto de 2006, 15:48
"Praia, festa, monstro e rock num filme ambientado em 1966 que une uma banda de garagem de meninas e a lenda do Skunk Ape (ou seja, um gigante peludo, com mais de 2 metros de altura e pés grandes). Uma tragédia interrompe a turnê do The Violas. O carro quebra, o dinheiro termina e uma criatura misteriosa aterroriza a pequena cidade na praia onde as meninas estão encalhadas."

Eu não inventei isso, é uma sinopse de verdade de um filme de verdade. Que se chama Stomp! Shout! Scream!. E foi dirigido por um dos produtores de Aqua Teen: O Esquadrão Força Total, desenho animado sem noção protagonizado por um saco de batatas fritas e um copo de milk shake falantes, que passa no Adult Swim do Cartoon Network. E o filme vai ser exibido hoje à noite num cinema aqui de BH, a mais provinciana quase-metrópole do hemisfério Sul.

Por algum motivo alheio a qualquer bom senso, escalaram esse filme no mesmo festival esquisito que tem também uma mostra de cinema norueguês, os indefectíveis filmes iranianos e uma retrospectiva do Lucchino Visconti - eu sempre achei que esse cara fosse dono de uma fábrica de chocolates, e não cineasta. Bom, a galera que vai lá deve estar mais interessada em ver o drama de algum órfão iraniano que perdeu seu camelo de estimação contado em longas 2 horas e meia do que em uma banda de meninas de minissaia fugindo de um cara fantasiado de monstro. Logo, devo conseguir meu ingresso sem maiores dificuldades.

No site oficial do filme, tem o trailer, que confirma tudo o que a sinopse me fez pensar a respeito desta película. Farei uso de um pacote grande de pipoca e da maior quantidade de refrigerante que for possível transportar para dentro do cinema.

29 de agosto de 2006, 09:38
Saiu o calendário da Fórmula 1 para 2007. Reparando um pouco, vejo que o único circuito de rua que restou é o de Mônaco. A F1 não é tão legal assim sem aqueles circuitos onde os carros passavam triscando os guard-rails de metal a 250 km/h, guard-rails que pareciam afiados o suficiente para cortar o capacete deles como um abridor de latas, e enferrujados o suficiente para transmitir tétano até para os mecânicos que fossem consertar os carros semanas depois. Detroit, Phoenix, Adelaide, todos foram colocados pra fora da ilha. E em 2007 não teremos mais Suzuka, cujo traçado era em meio forma de "8", e que quando eu jogava SuperMonaco GP de Mega Drive eu abaixava a cabeça quando passava por baixo da ponte.

Mesmo assim, e mesmo sem a Minardi nas últimas posições, Fórmula 1 ainda é divertido. Ao menos quando tem um número decente de ultrapassagens, e quando o safety-car idiota não entra na pista para impedir que esses pilotos frescos atuais não disputem posições em meio a destroços de outros carros. Tipo, de repente eu até vou a Interlagos em outubro. Acho que já estourei minha cota de viagens solitárias por esse ano, mas de repente até que era uma boa.

27 de agosto de 2006, 03:27
* Então, fã que sou, comprei o disco novo do Skank, ainda em pré-venda, antes de seu lançamento oficial. Mas quando ele me for entregue, daqui uns dez dias, ele não mais será novidade - as músicas já estão circulando por aí através dos meios usuais de pirataria.

* Pelos dois trailers que assisti, o filme novo do Casseta & Planeta parece promissor. Mesmo abusando dos personagens chatos do programa de TV. Parece que tem boas piadas, e os caras sabem contar uma boa história, quando querem. Estão aí os ótimos livros-solo do Beto Silva (Júlio Sumiu) e do Hélio de la Peña (Vai na bola, Glanderson) para confirmar isso.

* Já velho e entediado, com as angústias adolescentes devidamente deixadas pra trás, nunca o "não sei o que quero, mas sei o que fazer para conseguí-lo" da primeira estrofe de Anarchy In The U.K., que eu achei genial da primeira vez que escutei essa música, me pareceu tão palpável.

* Madrugadas perdidas ao ar livre nunca foram o meu forte. Ainda vou corrigir isto, quem sabe um dia.

26 de agosto de 2006, 02:16
Obrigado Por Fumar é um filme legal sobre um tema pesado. Isso é difícil de se encontrar. Mais difícil do que isso é encontrar um personagem carismático igual o Nick Naylor, protagonista do filme e lobista da indústria do tabaco americana. Quando eu crescer eu quero ter a manha igual esse cara.

21 de agosto de 2006, 22:09
Observar torcedores de futebol em ação é um exercício bacana de antropologia. Não tanto os grupos de torcedores: torcedores que "agem" sozinhos me parecem mais interessantes. Existem aqueles que gritam com os jogadores, dando a eles instruções táticas, o jogador lá embaixo no gramado e o torcedor no alto da arquibancada, com centenas de pessoas gritando entre os dois. Alguns conversam com o radinho de pilha, discutem com o comentarista, corrigem o narrador que erra o nome de um jogador.

Mas os que mais me chamam a atenção são aqueles que gostam de xingar. Xingam o juiz, os bandeirinhas, xingam jogadores adversários quando seu time está ganhando, xingam o técnico de seu próprio time quando o placar é desfavorável. E os verdadeiros profissionais do alambrado não xingam como um desabafo instantâneo: eles seguem um ritual, planejado e premeditado, para desferir suas metralhadoras de impropérios. Ontem vi um desses. Quando um gol foi anulado, porque a bola teria saído pela linha de fundo antes de ser cruzada para a área, este torcedor, aparentemente um cara normal e civilizado, que estava com a camisa de seu time e conversava com um pequeno grupo de amigos, se levantou calmemente, desceu os degraus da arquibancada ainda conversando com seus companheiros e sorrindo, e ao chegar ao alambrado, acertou sua postura, colocou no rosto uma expressão de indignação e com uma voz mais grave do que o seu habitual e carregada de perdigotos, ofendeu a honra de toda a família do indefeso bandeirinha. E ainda sugeriu a ele alguns usos pouco ortodoxos para sua bandeira amarela e vermelha. Então, se virou e subiu de volta para seu lugar, retomando a conversa com os amigos de onde ela tinha sido interrompida, ostentando um largo sorriso de dever cumprido. Certamente sentia que insinuar que a Sra. Dona Mãe do Árbitro-Assistente ganhava a vida vendendo o próprio corpo era o seu dever de torcedor, e assim ele, o Sr. Torcedor, ajudaria seu time de coração a vencer aquele jogo e faria do mundo um lugar melhor.

17 de agosto de 2006, 11:34
Picaretagem. É a melhor definição para o show que fui sábado, Ramonesfest 2006, mais conhecido como "o show do Marky Ramone". Não dá pra levar a sério um show onde a atração principal é o baterista - que nem estava na formação original da banda, lembremo-nos. Marky subiu ao palco acompanhado pelo Tequila Baby, banda gaúcha que é fã declarada dos Ramones. É mais ou menos como se o Charlie Watts chamasse tipo os Wallflowers pra tocar com ele e batizasse o show de Stonesfest.


Só que os Ramones são maiores do que isso tudo. Uma música dos Ramones é sempre uma música dos Ramones, não importa o quão tosca seja tocada. (Nem tem muito jeito de deixar uma música dos Ramones *mais* tosca do que o original.) Marky Ramone é o cara, sempre foi carismático e sempre foi o Ramone que mais se identificava com o exército de fãs da banda. E não é todo dia que se pode ver um show de um cara que já fez uma participação em Os Simpsons.


16 de agosto de 2006, 13:58
O computador que uso no trabalho está mais "personalizado" do que o computador da minha casa. Não apenas o desktop, mas os programas de uso não-profissional também estão instalados no escritório, programas de ripar CDs de áudio, de transferir arquivos pro celular, essas coisas. Isso pode significar que estou passando muito tempo trabalhando, o que é ruim. Ou que no meu tempo livre estou ficando pouco parado na frente do computador, o que pode ser bom. Ou talvez as duas coisas. Ou nenhuma das duas.

10 de agosto de 2006, 23:18
Se eu hipoteticamente encontrasse hoje uma lâmpada mágica, que por alguma circunstância do destino estivesse perdida aqui em Belo Horizonte e não em algum deserto das mil e uma noites, ou em algum desenho da Disney, e nem mesmo no meio de uma anedota envolvendo um papagaio, um caubói português e um canibal, e se realmente tivesse um gênio gente boa lá dentro, e se o gênio acreditasse que eu me comportei direitinho durante todo o ano e me dissesse que eu teria direito aos tradicionais três pedidos, mas que não valeriam pedidos do tipo "a paz mundial", e nem pedidos para ajudar parentes e amigos, que os três pedidos teriam que ser verdadeiramente egoístas, só para mim, e se ele não aceitasse a minha argumentação de que os pedidos de levar meu time de volta à primeira divisão e dar a ele meia dúzia de títulos importantes são pedidos egoístas em sua essência, uma vez que eu vou quase sempre sozinho ao estádio e não ligo muito para todos aqueles outros torcedores que vão ao mesmo lugar no mesmo horário usando a mesma camisa preto e branca para xingar os mesmos pernas-de-pau, e se além disso o gênio dissesse que são impossíveis aqueles pedidos de superpoderes como invisiblidade, leitura de pensamentos, viajar no tempo para consertar o passado, visão de raio-X, cuspir fogo ou o poder de deixar mulheres apaixonadas por mim por onde quer que eu passe - se bem que esse último eu já tenho, e se também fosse vetado o pedido-loop-infinito de "mais N pedidos", afinal, o tal do gênio, pra fazer jus ao nome, não deve ser bobo, acho que me sobrariam os pedidos de trabalhar de bermuda em uma praia ensolarada e de que toda a série de coisas legais que eu já pensei em construir/escrever/desenvolver se concluísse instantaneamente. E bicho de pé. *1


*1: vide clássico da anedota universal do mineirinho que pediu pro gênio dinheiro, mulher e bicho de pé.

7 de agosto de 2006, 14:14
Auto-colunismo social: na última semana fui citado pelo Cocadaboa, colaborei com o Jogos Perdidos e participei de uma valiosa discussão antropológica no Refém do Sofá.

Hoje, sites de amigos; amanhã o mundo!

4 de agosto de 2006, 17:18
Cuspido e escarrado, expressão que se usa para dizer que uma pessoa é muito parecida com outra. "Ele é Fulano de Tal cuspido e escarrado!" Expressão sem sentido, não? Na verdade, usava-se esculpido em Carrara (mármore de Carrara, uma variedade de mármore considerada nobre, proveniente da uma cidade italiana chamada - óbvio - Carrara). Mas foi-se falando errado, e o que vale hoje é o cuspido e escarrado, porque escatologia é muito mais legal do que artes plásticas, isso não se discute. Fiquei sabendo dessa informação lendo Monteiro Lobato, eu devia ter entre 11 e 12 anos. Acho que foi no "Emília no País da Gramática". Não só eu lembro da valiosa informação, mas lembro também de onde a vi pela primeira vez e quando isso aconteceu. Agora, as etiquetas do meu álbum de fotos que comprei no início dessa semana eu não consigo lembrar de jeito nenhum onde foi que eu guardei!