30 de junho de 2008, 14:41 Queimar o meu próprio filme é algo que eu faço melhor do que qualquer outra pessoa. Aqueles links dos arquivos, ali na coluna da direita, são prova disso. E o lado bom de não ter uma reputação a zelar é que posso afirmar, sem pensar duas vezes, que Baby I Love Your Way* é uma música tão bacana que fica sensacional até na versão reggae do Big Mountain.
*Baby I Love Your Way = Balada-farofa do Peter Frampton, você já ouviu essa música, mesmo que não esteja conseguindo ligar o nome à pessoa.
Filmes-unanimidade sempre me dão essa sensação de "vai ser chato". Em especial, depois que fui provavelmente a única pessoa no planeta a achar Ratatouille sem graça, e Os Incríveis apenas um plágio muito do mal-feito do primeiro Pequenos Espiões - esse sim, um dos filmes mais subestimados de todos os tempos. Tipo, qualquer um que se divirta mais com o Senhor Incrível do que o Antonio Banderas em modo canastrão é ruim da cabeça ou doente do pé.
Mas quando vi elogios ao Wall-E vindos do cara que diz, em público, que O Senhor dos Anéis não é mais do que three fuckin' movies about motherfuckers walking, mudei de opinião. Kevin Smith é a mente (ir)repsponsável por O Balconista, Dogma e Menina dos Olhos. Ele entende das coisas. E se o Kevin Smith afirma queWall-E é tão adorável que faz o E.T. se parecer com Josef Mengele, eu quero assistir isso - Kevin Smith jamais me decepcionaria.
29 de junho de 2008, 20:09
OK, estou escutando Dixie Chicks. E gostando. E cantando junto nos refrões. Acho que acabei de inventar a auto-vergonha-alheia.
26 de junho de 2008, 15:30
Terminei de ler o Slam!, livro novo do Nick Hornby. Está bem mais para Uma Longa Queda do que pra Alta Fidelidade - ou seja, Tiozão Nick pode não estar em sua melhor fase, mas parece que o fundo do poço atingido em Como Ser Legal jamais será igualado.
No alto à esquerda, Tiozão Nick Hornby.
Embaixo à esquerda, seu quase-sósia Enrico "Keith Mars" Colantoni.
À direita, Kristen Bell como Veronica Mars, deixando meus olhos mais felizes.
Como repercutido pelas diversasresenhasdo livro por aí, o Slam! é narrado em primeira pessoa por um adolescente de 16 anos fã do Tony Hawk. E por cerca de 150 páginas, a narrativa me fez lembrar *muito* de Apanhador No Campo de Centeio, ou de Pergunte ao Pó, ou qualquer desses livros tidos como clássicos sobre adolescentes/jovens que só fazem andar sem rumo resmungando em voz alta. O terço final do livro tem uma forte mudança de ritmo, a história se torna mais leve, divertida e até otimista. E eu gosto disso.
E que diabos o tal campo de centeio tinha a ver com a história daquele livro lá do Salinger? Título mais nada a ver, esse aí.
25 de junho de 2008, 17:56
É, a camisa do Bandeirante não vai rolar. De repente um vice-campeonato e ganho o bonequinho do tigre mascote do Criciúma. Ele pode ser útil caso o Criciúma volte a jogar contra o Galo, se não na Série A, em uma Copa do Brasil qualquer. Usarei-o pra fazer vudu.
25 de junho de 2008, 15:25
Não me lembro de torcer com tanta força por uma seleção européia quanto torço hoje pela Turquia contra a Alemanha. Motivo? A eliminação da Alemanha praticamente me assegurará (nota: evite conjugar certos verbos no futuro do indicativo) a primeira colocação na V Promoção de aniversário do Balípodo. O prêmio para o vencedor, uma sensacional camisa oficial do Bandeirante de Birigüi.
Conheço gente que apostou dinheiro nesse jogo. Em bolões ou em sites de aposta. Ganhar dinheiro não me empolgaria tanto quanto a chance de ganhar uma camisa do glorioso Leão da Noroeste. Vai, Turquia!
23 de junho de 2008, 11:36
O Ethan Hawke faz sempre esse mesmo papel de rebelde-sem-causa sensível metido a poeta, ou é só nos filmes que já assisti com ele? (A saber: Caindo na Real, Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol.) Tipo, sempre tenho ganas de bater nele com um taco de beisebol.
20 de junho de 2008, 11:48
A lista vai aumentando. Depois de: 1. Joelho direito, 2. Ombro esquerdo, 3. Joelho esquerdo, 4. Perna direita uns 10cm abaixo do joelho, 5. Cintura ali logo na ponta daquele osso maiorzão da bacia, 6. Joelho direito de novo; ontem a aula de tênis me deu uma cicatriz no NARIZ. Quer dizer, *futura* cicatriz no nariz. Por enquanto ainda é um grande ponto vermelho entre os olhos. Uma tentativa de voleio, a bola está vindo e muda de direção ao bater na fita, vem próxima ao ombro, mistura isso com toda aquela destreza que eu nunca tive, resultado, Paulo atinge o próprio nariz com um golpe de raquete.
Mulheres curtem cicatrizes, já dizia o Destemido Lance Murdock, espero que seja verdade. (Nunca se confirmam as citações que eu complemento com um esperançoso "espero que seja verdade". Em especial quando tem algo a ver com alguma possível interação entre eu e pessoas do sexo oposto.)
Resumindo, pra quem não sabe inglês e/ou ficou com preguiça de clicar no link: Gayle O'Neal, criadora de animais da cidade de Chesapeake, Virgínia, comprou 12 macacos - uma dúzia de símios, e não o filme - e recebeu uma carga que não atendia às especificações. Segundo Brian Meals, advogado de Gayle, não apenas os macacos não apenas eram mais velhos do que o anunciado, mas também estavam em péssimas condições de saúde, alguns deles desdentados ou com dedos decepados.
Devido ao mau estado de conservação dos macacos, a vigilância sanitária local estabeleceu uma quarentena a toda a loja de Gayle, impedindo que qualquer animal fosse vendido - o que fez com que a Sra. O'Neal tivesse que fechar as portas. Agora, ela está processando o Amazing Exotics Education Center, empresa de Umatilla, Flórida, que vendeu-lhe os macacos defeituosos, em um valor superior a 1 milhão de dólares.
O que podemos tirar como lição dessa história? Em primeiro lugar, quando você for comprar macacos, verifique se o seu fornecedor é confiável - procure referências com os seus amigos que compram macacos com maior freqüência, confira se os macacos têm o carimbo do Inmetro, e fuja de qualquer negociante de macacos com aquele característico sotaque de Ciudad del Este. Em segundo lugar, caso você esteja escrevendo uma notícia sobre macacos, jamais, eu disse JAMAIS, deixe de citar os nomes dos macacos em seu texto. Os nomes dos macacos desdentados e sem dedos são muito mais importantes do que qualquer advogado. E, em décimo-oitavo lugar, com quatro voltas de desvantagem, Nelsinho Piquet.
15 de junho de 2008, 23:10
Assistindo vários jogos da Eurocopa, me bateu uma certa nostalgia da Copa do Mundo de 2006. Senti uma gigante inveja de mim mesmo por ter assistido à Copa em solo alemão, armado apenas com doses incomuns de coragem, uma credencial da FIFA, um passe infinito de trem e bom senso perto de zero. Hoje andei olhando algumas fotos da viagem, e reli os textos que escrevi para o Show de Bola. Senti falta de alguns dos eventos marcantes daquele verão fora de época, que não foram devidamente relatados por escrito - porque a conexão com a internet era cobrada em euros; porque no SdB eu procurava me manter dentro do tema "futebol"; e porque talvez fosse uma boa idéia manter meus pais alheios a alguns percalços da jornada, pelo menos até que eu retornasse são e salvo para casa.
Animados escoceses na fanfest de Hamburgo, 2006
Exatos dois anos atrás, dia 15 de junho de 2006, acordei em um albergue de Berlim - aquele que eu carinhosamente chamo de "o pior albergue do planeta" devido à presteza e simpatia de seus funcionários - após merecidas três horas de sono. Naquele dia eu assistiria a Espanha x Ucrânia, em Leipzig, a 170km de Berlim. Cheguei na estação ferroviária às 10h e não consegui entrar no trem - hordas de torcedores espanhóis se acotovelavam para embarcar, o trem partiu sem que eu sequer chegasse à plataforma de embarque, e o trem seguinte sairia apenas uma hora e meia mais tarde. Como precisava estar dentro do Zentralstadion antes de 13h30, calmamente (ou seja, resmungando palavrões em português e palavras em alemão que até hoje desconheço o significado) busquei outra alternativa de transporte: aluguei um carro.
Hotel-Pension Lehdenhof e o "meu" VW Fox vermelho ali no canto
Após ter recebido as devidas orientações geográficas da paciente atendente da Hertz, saí da estação, dirigi uns 600 metros no sentido errado, fiz um balão, passei novamente em frente à estação, e meia hora de "será que estou no caminho certo?" mais tarde cheguei à sonhada Autobahn. Aí foi só colocar peso no pé direito, ser ultrapassado por centenas de Porsches e BMWs mesmo estando a 160 km/h, e pouco depois do meio-dia estava estacionando no centro da simpaticíssima Leipzig. Sujo, despenteado, há dois dias sem banho, câmera com pouca bateria, mas aliviado. Consegui chegar a tempo de assistir um dos jogos mais legais da Copa. Depois do jogo, errei feio o caminho para chegar ao Hotel-Pension Lehdenhof - havia feito minha reserva pela internet, não sabia que ficava em um bucólico subúrbio residencial afastado do centro. Acidentalmente entrei sem querer na rodovia que vai em direção à República Tcheca, mas consegui chegar ao hotel após contornar apenas duas vezes toda a zona sul de Leipzig.
Na manhã seguinte, devolvi o carro e viajei para Hamburgo, iniciando outro período de dois dias sem acesso à higiene pessoal - a noite seguinte seria passada em um trem Hamburgo-Stuttgart, e só reencontraria um chuveiro em Frankfurt, já nas primeiras horas do dia 18. Bons tempos que não voltam mais...
13 de junho de 2008, 23:45
...na locadora quando voltava do trabalho para casa. Certeza de que ninguém mais aqui em casa tinha planos de passar a noite deitado no sofá da sala, e a TV seria só minha. Três filmes alugados: A Vida é Dura, tradução péssima pra Walk Hard, biografia do fictício rockstar Dewey Cox, produzida pelo Judd "Superbad" Apatow; Saindo de Uma Fria, comédia adolescente sobre um nerd que começa a contar mentiras para se entrosar na nova escola e as mentiras se tornam reais; e Idéias Geniais, comédia adolescente sobre um nerd/gênio que tem seu "livro de idéias" roubado por uma colega de escola loira linda e maravilhosa. Só filmão!
Daí chego em casa, deparo-me com Eurotrip, que é desses filmes que eu *preciso* assistir até o final todas as vezes que flagro-o passando na TV. Em seguida, dois filmes que há tempos eu quero assistir estariam ao mesmo tempo em canais diferentes: Novo no Pedaço, o magrelo narigudo do Caindo na Estrada some da escola por um tempo, e quando volta finge ser um aluno novato mauzão e popular; e Entrega a Domicílio, comédia romântica adolescente com o Paul "namorado da Phoebe" Rudd e a Reese "Legalmente Loira" Whiterspoon, dos tempos em que o Paul Rudd e a Reese Whiterspoon tinham idade para fazer comédias românticas adolescentes. Esse último eu já tinha visto alguns trechos quando passou no SBT, numa noite de quarta, tentando assistí-lo ao mesmo tempo em que via dois ou três jogos de futebol.
Providência que tomei: anotei em letra de forma tudo o que preciso fazer nesse final de semana em um papel e colei-o na porta do armário. Não cheguei àquele nível de detalhamento "primeiro abrir a porta, só depois sair do quarto", mas talvez eu devesse ter feito isso. Dessa vez, a perda de capacidade motora e cognitiva pode ser bem forte, com toda essa overdose de sétima arte. Os dois litros de sorvete de morango marca Artificialli's que serão consumidos durante a maratona tampouco contribuirão para que meu futuro passe pelas cercanias de um Prêmio Nobel.
10 de junho de 2008, 23:52
Sabe quando você asiste um filme que te inspira a uma mudança de vida radical? Assiti um desses hoje. Saí do cinema com aquele espírito de chutar o balde e fazer todas aquelas coisas que bem lá no fundo eu sempre tive vontade de fazer mas nunca fui homem o suficiente para fazê-las. Daí no caminho para casa, comprei um Tic-Tac de Laranja, como de hábito, mas em vez de comer os Tic Tacs de dois em dois, comi CINCO Tic Tacs por vez. Não mais temo grandes desafios como esse!
10 de junho de 2008, 10:23 Citação de Futurama da semana:
- Às vezes acho que eu deveria ir para algum lugar bem longe daqui...
- Sei como você se sente. Às vezes também acho que você deveria ir para bem longe.
09 de junho de 2008, 14:55 O Melhor Amigo da Noiva é um filme, bacana, comédia romântica acima da média das comédias românticas atuais. Mas duas horas de filme não foram suficientes para me convencer de que o cara que em Namorada de Aluguel teve que pagar à rainha-do-baile/cheerleader para que fingisse ser sua namorada se tornou, após vinte anos, um playboy que pega geral.
Fiquei imaginando o que me aguardará nos cinemas em 2028. Um remake de Sex and The City estrelado pela gordinha hip-hop do High School Musical? O namorado desengonçado da Juno como um herói de guerra?? McLovin' presidente dos Estados Unidos??? (Eu votaria nele, fácil!)
05 de junho de 2008, 23:30
O Pavement não é minha banda preferida - posto ocupado pelo bom e velho R.E.M.. Nunca fui a um show deles, e dificilmente terei essa oportunidade, porque a banda se separou em 1999. Nem mesmo consigo entender a maioria das letras. Mas Stephen Malkmus, Bob Nastanovich, Scott "Spiral Stairs" Kannberg, Steve West e Mark Ibold formaram aquela que posso chamar com mais propriedade de *a minha banda*.
Tinha 15 pra 16 anos quando conheci a banda, vendo na MTV o clipe de Cut Your Hair, segundo semestre de 1994 - tempos pré-internet, tempos de Forrest Gump, das camisas de flanela (só fui ter uma em 2002), e da paridade dólar/real que me permitiu comprar o Crooked Rain, Crooked Rain importado, CD com doze faixas que não se pareciam com nada mais que eu já houvesse escutado, e ao mesmo tempo soavam familiares e confortáveis. Riffs esquisitos que grudam na cabeça, músicas com andamentos variáveis, um rock bagunçado e veloz, mas sem a agressividade de tudo o que eu escutava naquela época. E o clipe de Gold Soundz, esse aí embaixo, é o melhor clipe de papais noéis caçando pombos com arcos e flechas de todos os tempos.
O que torna o Pavement realmente especial para mim é que as lembranças que suas músicas me trazem são exclusivamente minhas, não as divido com mais ninguém. Carrot Rope não foi trilha sonora de nenhuma das minhas paixões platônicas da adolescência. Na minha festa de formatura eu não cantei Spit on a Stranger pulando abraçado a uma rodinha de bêbados. Nenhum de meus amigos mais próximos jamais deve ter escutado Rattled By The Rush - e desse universo "meus amigos mais próximos" fazem parte micareteiros e metaleiros, villanovenses e fãs de U2, entre outros subgrupos aparentemente incompatíveis. Escutar Pavement meio que me faz lembrar de mim mesmo, de como eu via o mundo em diferentes épocas, de coisas que se passavam dentro da minha cabeça - e ao contrário do que se comenta por aí, coisas que passam dentro da minha cabeça não são apenas bolas de feno rolando com coiotes uivando ao fundo. Aos sábados, os coiotes páram de uivar, avançam para o primeiro plano e encenam Macbeth. Mas na versão dos coiotes, Maduff é um andróide imitador de Elvis, que só é vencido pela inexplicável queda de uma bigorna de 23 metros de altura sobre sua cabeça.
02 de junho de 2008, 16:59
Da série: Modinhas da internet não me convencem
Sobre o tal do twitter: Twitter é tipo um blog para posts com no máximo 140 caracteres misturado com rede social. Eu cada vez menos acredito na vida em sociedade, e não existe nada que me impeça de escrever pensamentos curtos por aqui mesmo. Só mesmo a minha incapacidade crônica em terminar um raciocínio naquele ponto onde ele deve ser terminado. Igual à vez em que eu fui apresentado a uma intercambista sueca estonteantemente maravilhosa, que se mostrou inexplicavelmente interessada por mim e chamou-me para que conversássemos a sós em um cantinho isolado daquela festa. "A Suécia deve ser um lugar lindo!", eu disse. "País do norte europeu, sua independência foi conquistada em 1523 pelo Rei Gustavo I e seu subsolo é rico em minério de ferro, cobre, chumbo e zinco." Nesse ponto, ela fez uma expressão de curiosidade. "Na sétima série tive que fazer um trabalho de Geografia sobre a Suécia." E o golpe de mestre: "Só o que não aprendi é que existiam na Suécia mulheres tão lindas como você." Pausa. "No dia de apresentar o trabalho,
comi um xis-bacon estragado, e passei a tarde vomitando verde, cheio de caroços, e não pude ir à aula e tirei zero."
Na verdade, isso nunca aconteceu comigo - é só uma adaptação daquela cena de Quanto Mais Idiota Melhor 2 na qual o Wayne conversa com a recepcionista da prefeitura, interpretada pela Drew Barrymore. Mas há momentos na minha autobiografia não-autorizada que não estão muito distantes disso.