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30 de outubro de 2009, 17:12
Eu me sinto verdadeiramente ofendido no trânsito é quando um pedestre que atravessa a rua *fora da faixa* e *com o sinal aberto para os carros* pára no meio da travessia e faz sinal com a mão de "pode passar". Inversão de valores. Nas entrelinhas, o que sinto que o Sr. Andante está me dizendo é "você não é homem o suficiente para me atropelar".

Em constatação não-relacionada, reparei que para cada "X" minutos que passo escutando músicas em meu dispositivo portátil de áudio digital, gasto mais ou menos "3X" minutos organizando nomes de arquivo, diretórios e listas de reprodução.

29 de outubro de 2009, 15:09
Ontem o carro que ia bem à minha frente jogou pela janela uma casca de banana. Reação imediata: apertar o indicador esquerdo na parte de trás do volante, em busca do botão que arremessaria um casco de tartaruga vermelho como contra-ataque.

27 de outubro de 2009, 01:55
Cresci cercado por revistas em quadrinhos Disney. Em casa, sempre havia um Disney Especial ou Pato Donald ao meu alcance desde antes que eu aprendesse a ler. E já desde pequeno, identificava dentre as HQs não-creditadas as que eu mais gostava: as longas aventuras que sempre abriam o Tio Patinhas e as curtas histórias cômicas que recheavam os números de Zé Carioca, Pato Donald e Peninha. Muitos anos depois, fui saber que essas grandes aventuras eram de artistas italianos como Marco Rota, Romano Scarpa e Daniel Branca; e que as HQs de humor rápido e gags a cada quadro foram produzidas no Brasil, entre as décadas de 70 e 90 por artistas ainda hoje conhecidos apenas pelos fãs dedicados: Carlos Edgard Herrero, Renato Canini, Roberto O. Fukue, Gerson Teixeira, Ivan Saidenberg, entre outros.


ANACOZECA: Arlindo, Arnaldo, Asdrúbal e Tadeu

O universo do Zé Carioca tinha, já de suas histórias made-in-USA a namorada Rosinha, o sogro milionário Rocha Vaz e o melhor amigo Nestor. Nos estúdios da Editora Abril, o papagaio ganhou a companhia de Pedrão e Afonsinho, os primos Zé Paulista, Zé Queijinho, Zé Jandaia e Zé Pampeiro, o alter-ego Morcego Verde e também vários antagonistas: Zé Galo, a Anacozeca (Associação NAcional dos CObradores do Zé CArioca) e o Átila, cachorro do Rocha Vaz. Surgiram também a Agência de Detetivas Moleza, o Vila Xurupita FC e o G.R.E.S. Unidos de Vila Xurupita.

A dupla Donald-Peninha também ganhou uma nova dinâmica na Disney nacional. Inicialmente, na redação d'A Patada, o jornal publicado pelo Tio Patinhas, seguindo o tema das HQs clássicas de Tony Strobl, e depois em ritmo de sitcom moderna com Peninha e Biquinho tocando o terror na vida do Donald e do seu gato Ronrom. Surgiram as diversas identidades do Peninha: Morcego Vermelho, Pena Kid, Pena Submarino, Pena das Selvas e Pena das Cavernas, cada um com seu universo próprio.


Scans copiados do I.N.D.U.C.K.S.

E no último dia 30 de setembro faleceu Ivan Saidenberg, o criador do Pena Kid, do Morcego Vermelho, do Vila Xurupita FC e do átila (o cachorro do Rocha Vaz). Saidenberg escreveu mais de 900 roteiros de histórias em quadrinhos Disney nos anos 70 e 80. Devo a esse cara algumas décadas de boas risadas, além de uns 80% do senso de humor meio destrambelhado que eu possuo hoje.

Não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Saidenberg, mas poucos dias após seu falecimento fui ao 6o. FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, realizado aqui em BH, e assisti a um bate-papo com Renato Canini, que hoje é celebrado como o principal desenhista do Zé Carioca em todos os tempos. Era ele quem desenhava aquele Zé Carioca de camiseta branca, que morava em um precário barraco no morro. Foi o Canini quem melhor retratou o Rio de Janeiro do papagaio, mesmo sem jamais ter ido à capital fluminense: ele desenhava as paisagens cariocas baseando-se apenas em fotos e postais, o que de certa forma o aproxima de Carl Barks, o mais famoso quadrinista da Disney, que ilustrava as aventuras do Tio Patinhas ao redor do mundo conforme as fotos da sua coleção da revista National Geographic.


Mundo Canini, foto do site do FIQ

Além do ótimo bate-papo - tem um bom resumo dele no youtube - vi a exposição Mundo Canini, que mostrava toda a carreira do quadrinista gaúcho, destacando também seus personagens fora da Disney, como o psicanalista Dr. Fraud, o caubói Kactus Kid e o indiozinho Timbica. E ainda, antes de entrar no auditório, pedi um autógrafo no meu exemplar de Mestres Disney: Renato Canini.

Eu nunca sei o que dizer quando peço um autógrafo. Disse algo ao Canini de que desde pequeno o traço dele me chamava a atenção e que eu sou um grande fã.


Valeu, mestre Canini!

Hoje, algumas ilustrações e tiras do Canini são publicadas no blog Tinta China, que reúne diversos artistas gaúchos, e muitas de suas histórias são republicadas na revista mensal do Zé Carioca. E dois curta-metragens sobre sua obra estão disponíveis no Porta Curtas Petrobrás: o documentário Kactus Canini Kid, uma Graficobioanimada (2004, 13 minutos) e a animação Kactus Kid (2005, 7 minutos), ambos dirigidos por Lancast Mota.

E eu sigo como consumidor voraz de quadrinhos Disney, indo todo mês à banca em busca de minha dose mensal de Tio Patinhas, Pato Donald, Zé Carioca e Mickey, e de uma ou outra revista atemporal que surge. Tipo a nova edição da História e Glória da Dinastia Pato, cujo segundo volume eu li em uma sentada só.

22 de outubro de 2009, 15:18
Otimista é aquele que, mesmo após 16 horas consecutivas de chuva forte, coloca a raquete de tênis no porta-malas, imaginando que uma muito improvável tarde de sol forte será capaz de deixar uma quadra de saibro lama em condições para a prática do esporte.

Pessimista é aquele que, mesmo após 16 horas consecutivas de chuva forte, coloca a raquete de tênis no porta-malas, imaginando que caso ele deixe-a em casa haverá uma muito improvável tarde de sol forte capaz de deixar uma quadra de saibro lama em condições para a prática do esporte.

20 de outubro de 2009, 00:02
O spammers venceram! Hoje em dia não mais é de bom tom enviar um par de fotografias por e-mail para algum contato comercial ou parente distante atendo-se ao estritamente necessário. Assunto, "Fotos do terreno", ou "Fotos lá da festa", e corpo da mensagem, "Olha aí as fotos que fiquei de mandar para você." Dois arquivos anexados, com os nomes DSC5548.jpg e PIC0465.jpg. Dezessete segundos após clicar no botão Enviar, a SWAT, o FBI e o cara do departamento de TI que usa aquele bigodinho de trocador de ônibus estarão batendo à sua porta com mandados de busca e cães farejadores.

Assim é criada uma necessidade artificial de interação social. Comentários vazios a respeito da tal festa, ou a repetição de trechos da discussão comercial já anteriormente resolvida. Qualquer coisa que faça com que o e-mail fique bem diferente dos e-mails de phishing que eu recebo todo dia da Marcelinha Tchutchuca ou da Beijos Débora ou qualquer nome falso nesse estilo meio-funkeira-meio-sexta-série-do-primeiro-grau.

16 de outubro de 2009, 02:37
Um erro histórico que normalmente comete-se sobre este blog: ele não é hospedado pelo moribundo Geocities desde o princípio dos tempos. Em seus primeiros dias de vida, naqueles tempos pré- Avril Lavigne, o endereço do blog era http://vila.bol.com.br/paulotf, ou algo assim. Sim, VilaBOL, lembra dele? Fiquei por lá menos de uma semana, fui-me para o Geocities, então recém-adquirido pelo Yahoo, levando comigo todos os meus quatro ou cinco kilobytes de profunda sabedoria escrita sobre fundo roxo.

Oito anos e meio e 1.298 posts depois - e não creio que haja alguém valente o suficiente para ver se essa contagem está certa - este blog despede-se do GeoCities. Gostaria de poder usar aquele velho clichê do "não é um adeus, é apenas um até breve", mas não é o caso: dia 26 próximo, o GeoCities será desativado. Saio alguns dias antes, prefiro apenas acompahar de longe aquele que será o dia mais triste da milenar história da internet.

O novo endereço é www.meucerebrodoi.org. Simples assim. Corrijam seus bookmarks e mudem os links que apontam pra cá. Todos os arquivos, todas as imagens, tudo está funcionando perfeitamente na casa nova como um relógio suíço comprado no Mercado Livre. Quanto a mim, sei que não vou me acostumar tão cedo, por muitos meses essa mudança vai me causar facepalms, da mesma forma que aquele seu tio que não acredita em cartões de débito sempre preenche cheques com a data de "mil novecentos e droga, errei de novo".

Quem acessa por RSS, tá de boa. Eu fui bem camarada e dei um jeito para que o velho feed funcione no novo endereço. Não tem que inscrever o feed de novo no Google Reader, ninguém precisa reconfigurar nada. Eu acho.

Então é isso. www.meucerebrodoi.org. Ainda me parece errado esse endereço, mas é assim que vai ser. Pois, como disse o filósofo, "o Ontem já é história, o Hoje deve ser vivido, e amanhã tem prova de Inglês e nunca que vai dar tempo de decorar esses verbos irregulares todos".

05 de outubro de 2009, 15:01
Muita gente abastece o carro no posto que tem o preço mais barato. Outros preferem abastecer sempre perto de casa, ou do trabalho. Existem os que gostam daquele postinho com um lava-jato de qualidade.

Já eu abasteço no posto que tem a loja de conveniência com a maior variedade de sucos de cores pouco naturais e balas de sabores compostos (tipo "drops de uva verde com recheio de chocolate" ou "caramelo mastigável de framboesa e abacaxi").