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Comentando Os Simpsons - O Filme por Paulo Torres da Fonseca --- CONTÉM SPOILERS! CONTÉM SPOILERS! CONTÉM SPOILERS! --- 21 de agosto de 2007, 02:50 Olá, meu nome é Paulo, e eu sou um fanático por Simpsons. Marco compromissos para depois das nove da noite para que possa assistir o episódio nosso de cada dia da Fox. Tenho as sete primeiras temporadas em DVD - e tenho ainda um DVD piratão com todos os episódios pré-primeira temporada. Um poster dos Simpsons ornamenta a parede do meu quarto. Tenho um boneco do Krusty sobre o meu computador de trabalho. Sei mais citações de Os Simpsons do que da Bíblia e das obras de Shakespeare juntos. Desde o fim da versão nacional de Simpsons Comics, compro todo mês a Simpsons Comics americana, pagando um preço meio que abusivo por isso. Já me fiz entender, acho. E, como fã dessa familia amarela, aguardei com enorme ansiedade o longa-metragem que finalmente estreou quatro dias atrás. Eu temia pelo pior. Imaginava que o filme seria algo apelativo, "homercêntrico" e com finais abruptos, assim como são a maior parte dos episódios das temporadas mais recentes. Mas o envolvimento dos principais roteiristas e diretores das primeiras temporadas - Jon Vitti, Mike Reiss, John Swartzwelder, George Meyer, Al Jean, David Silverman, além do próprio Matt Groening - deu-me esperanças de reencontrar o Bart criança endiabrada, o Homer de bom coração, o Ned Flanders vizinho exemplar (e não o fundamentalista que ele vinha sendo desde o falecimento de sua esposa Maude), os produtos Krusty de péssima qualidade. E, acima de tudo, a esperança de reencontrar as histórias de superação de conflitos e busca da unidade familiar que se escondiam por baixo de toneladas de piadas. Esse era o elemento que, no inicio dos anos 90, elevou Os Simpsons ao posto de ícone da cultura contemporânea. E que foi abandonado em algum ponto entre a oitava e a nona temporadas (já mais de uma década distantes). Todas aquelas velas que acendi em encruzilhadas em noites de sexta-feira desde que foi confirmada a realização do filme não foram em vão. Os Simpsons - O Filme não me decepcionou em momento algum. Comichão e Coçadinha são os primeiros a surgir na tela, e logo se segue uma versão alternativa para a clássica abertura da série. Não tem a cena do sofá, mas tem o Bart escrevendo no quadro-negro e o obrigatório tema de abertura. O filme não é, como muitos vem dizendo, um episódio estendido da série. Além da tela larga e das cenas impróprias (partes pudendas do Bart, gestos obscenos do Homer), jamais se veria na TV uma seqüência de piadas visuais e pequenas sátiras se sucedendo em ritmo tão furioso como nos primeiros vinte minutos do filme. Aparentemente, não há conexão entre elas, mas logo as pontas se unem, e cada cena acaba tendo alguma importância no roteiro - até mesmo o Porco-Aranha. (Can he swing / from a web? / No he can't, / cause he's a pig.) Homer causa um grande desastre ecológico, o governo fecha Springfield em uma cúpula de vidro e a familia Simpson, perseguida pelo resto da cidade, consegue fugir da cidade isolada. Nesse ponto, a história volta a se dividir em duas (a ida dos Simpsons ao Alasca e o caos se instalando em Springfield), e o ritmo das piadas já é um pouco menos voraz. Logo que Marge e as crianças decidem retornar à cidade natal para tentar salvá-la da destruição, há uma ótima cena de delírio/sonho de Homer, que me fez lembrar de episódios clássicos como A Última Tentação de Homer (da quinta temporada) e A Viagem Misteriosa de Homer (o episódio da pimenta, da oitava temporada), mostrando alguma ousadia narrativa e visual. E as cenas de Springfield isolada do mundo garantem muitas gargalhadas. O último terço do filme tem cenas de ação, mais gags visuais incessantes e a redenção definitva de Homer perante a Marge, Bart e a toda a cidade. No clímax do filme, Homer e Bart saltam sobre a Garganta de Springfield de moto - sim, a mesma Gargante de Springfield que Bart tentou saltar de skate lá na terceira temporada, em Bart, o Destemido, o melhor episódio de todos os tempos em minha imparcial opinião. (Vocês viram que a ambulância ainda está lá, batida na árvore ao lado da Garganta? Viram?) Praticamente todos os inúmeros personagens secundários recorrentes aparecem, mesmo que apenas como um rosto em uma cena de multidão. Ausências notadas: Jacqueline Bouvier (mãe da Marge) e o gato Bola de Neve II - ausências estas inexplicáveis; o ator Rainier Wolfcastle, o meio-irmão de Homer Herbert Powell, os alienígenas Kang e Kodos - que moram fora de Springfield; os saudosos Troy McClure e Lionel Hutz - aposentados após a morte de Phil Hartman, que dava voz a ambos; e o Homem Radioativo (que coloquei ali no canto dessa página, porque eu gosto dele!) e seu ajudante Garoto Centelha - talvez eles estejam em alguma capa de revista que o Cara da Loja de Quadrinhos esteja lendo, preciso rever o filme para sanar essa dúvida. E, claro, Sideshow Bob, que apesar de seu nome jamais foi coadjuvante em nenhum episódio. Exceto os dois primeiros personagens citados, melhor mesmo que tenham ficado de fora do filme do que uma aparição inexplicada. E a versão dublada em português do filme não perde muito em comparação às vozes originais. Sim, Homer tem um novo dublador, mas em quinze minutos o estranhamento passa. Os demais personagens têm as mesmas vozes da TV. Perdem-se duas ou três piadas na tradução, não mais do que isso. E perde-se o Hino de Springfield, cantado nos créditos finais, que na versão legendada tem legendas, e na versão dublada permanece em inglês, mas sem legenda. Valeu. Obrigado, Matt Groening! Fico agora no aguardo de uma décima-nona temporada bem melhor do que essas útimas... ahm... oito ou nove. E muita expectativa também para o anunciado retorno de Futurama, que passa longe de ser uma unanimidade como Os Simpsons, mas que na minha opinião é um dos cinco melhores programas de TV de todos os tempos. |
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